SUCEN - Superintendência de Controle de Endemias

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Doença

 

Agente Etiológico:


Os agentes etiológicos da LTA são protozoários da família Tripanossomatidae, do gênero Leishmania, divididos em dois subgêneros: Leishmania e Viannia. Onze espécies dermotrópicas são conhecidas nas Américas. Dentre as várias espécies encontradas no Brasil, sete são os principais agentes etiológicos da LTA, destacando-se entre elas as espécies: Leishmania (Viannia) guyanensis, Leishmania (Viannia) braziliensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis. A L. (L.) braziliensis, responsável pela forma muco-cutânea, é o principal agente etiológico no estado de São Paulo (ESP).

 

 

Diagnóstico:


O diagnóstico laboratorial da LTA deve ser realizado preferencialmente pela demonstração do parasito por meio de exames direto e indireto. Este procedimento é o mais rápido, de menor custo e de fácil execução. No entanto o encontro do parasito torna-se mais raro em lesões com tempo de evolução de mais de um ano. O isolamento em cultura in vitro e o isolamento in vivo são métodos de demonstração do parasito importantes já que permitem posteriormente a identificação do agente etiológico.
Entre os testes sorológicos destaca-se a intradermoreação de Montenegro ou da leishmanina, que é um teste intradérmico que permite a visualização da resposta de hipersensibilidade celular tardia. No entanto seu resultado deve ser interpretado com cuidado, pois a IDRM pode ser negativa nas primeiras quatro a seis semanas após o surgimento da lesão cutânea e repetidos testes em períodos de poucas semanas podem induzir ao ¿efeito reforço¿; em áreas endêmicas, IDRM pode ser interpretada como leishmaniose anterior, exposição ao agente sem desenvolvimento de lesão, alergia ao diluente ou reação ao um teste anterior pelo antígeno de Montenegro. A IDRM persistem em geral positiva após o tratamento ou após a cicatrização da lesão cutânea ou curada espontaneamente e pode negativar em indivíduos precocemente tratados ou ainda fracos-reatores.
No entanto, para pacientes com lesão típica que estiveram em áreas de transmissão ou mesmo de áreas novas de transmissão, a IDRM positiva é diagnóstico complementar ao diagnóstico clínico-epidemiológico, sendo imprescindível neste último caso, a confirmação diagnóstica por métodos parasitológicos.

 

Modo de transmissão:


A transmissão ocorre pela picada da fêmea de flebotomíneo infectada durante o repasto sanguíneo. Não há transmissão pessoa a pessoa.

 

Período de incubação:


O período de incubação no ser humano é em média de dois a três meses, podendo variar de duas semanas a dois anos.

 

Quadro clínico:


O quadro cutâneo, inicia-se pelo aparecimento de pequena lesão eritemato papulosa no local da picada do vetor, posteriormente há formação de um nódulo que pode atingir 1cm de diâmetro e aproximadamente 4 semanas de evolução, com o aparecimento de uma crosta central.
A perda desta crosta dá origem a uma úlcera, que evolui formando úlcera leishmaniótica clássica, de formato arrendondado, com bordas elevadas e infiltradas.
A lesão inicial pode ser única ou múltipla, dependendo do número de picadas infectantes.
A mucosa mais freqüentemente acometida é a da região nasal, os principais sinais e sintomas são epistaxe, eliminação de crostas e obstrução nasal.
Existem duas formas extremas: a ulcerativa e a não-ulcerativa e as formas intermediárias. Além das lesões nasais, podem ocorrer lesões em lábios, língua, pálato, orofaringe e laringe.

 

 

Profilaxia:


Pelo fato de ser uma zoonose primitiva das florestas, a LTA resiste a qualquer medida preventiva aplicável as doenças transmitidas por vetores. Na maior parte das áreas endêmicas, onde se observa o padrão clássico de transmissão, quase nada pode ser feito no momento em relação a profilaxia da doença, dada a impossibilidade de se atuar sobre a fonte de infecção silvestre. Portanto, algumas medidas devem ser adotadas, tais como:

    * Medidas clínicas, diagnóstico precoce e tratamento: toda a pessoa que apresentar ferida de difícil cicatrização deverá procurar o Centro de Saúde ou Unidade Básica de Saúde, para a realização do exame específico e, se for o caso, iniciar o tratamento;
    * Medidas de proteção individual: são meios mecânicos através do uso de mosquiteiros simples, telas finas em portas e janelas, uso de repelentes e evitar a freqüência em horário noturno, a partir das 20:00 horas;
    * Medidas educativas: as atividades de educação em saúde devem estar inseridas em todos os serviços que desenvolvem as ações de controle de LTA, requerendo o envolvimento efetivo das equipes multiprofissionais e multiinstitucionais com vistas ao trabalho articulado nas diferentes unidades de prestação de serviço, através:
    * Da capacitação das equipes, englobando conhecimento técnico, os aspectos psicológicos e a prática profissional em relação à doença e ao doente;
    * Da adoção de medidas profiláticas, considerando o conhecimento da doença, atitudes e práticas da população, relacionadas às condições de vida e trabalho das pessoas e
    * Do estabelecimento de relação dinâmica entre o conhecimento do profissional e a vivência dos diferentes extratos sociais através da compreensão global do processo saúde/doença, no qual intervêm fatores sociais, econômicos, políticos e culturais.

 

 

Controle:


No Em 1978, com a implantação do sistema de vigilância epidemiológica, a LTA passa a fazer parte do elenco das doenças de notificação compulsória no Estado. A partir de 1979, quando o sistema se efetiva as informações passam a ser padronizadas por meio de uma ficha de investigação padronizada, que eram analisadas pelo Centro de Informações da saúde (CIS) e, posteriormente, em 1986 pelo Centro de Vigilância Epidemiológica. No entanto, a vigilância vetorial passa a ser efetivamente organizada, com a revisão do programa em 1993, com a elaboração do Manual de Vigilância Epidemiológica da Leishmaniose Tegumentar Americana. À Sucen coube a execução do levantamento entomológico nos focos de transmissão e implementar as medidas de controle vetorial, quando houvesse evidências de transmissão autóctone no ambiente domiciliar somada a ocorrência de mais de um caso autóctone num período de seis meses, no mesmo local provável de infecção.
O controle químico do vetor é recomendado sempre que houver constatação de transmissão domiciliar em uma localidade, na qual ocorreram dois ou mais casos num período de seis meses de intervalo. No entanto, cabe ressaltar que o controle químico isoladamente não tem modificado o comportamento endêmico com picos epidêmicos da doença, apontando, dessa forma, a necessidade de investigações voltadas para: a competência vetorial das principais espécies de flebotomíneos, a participação dos reservatórios domésticos e silvestres na cadeia de transmissão da doença, o conhecimento e atitudes da população para o enfrentamento da doença.

 

 

 

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